ESCOLHENDO UM CAMINHO

 

Há muitos caminhos para o nosso autoconhecimento, bem-estar, paz, relaxamento, amadurecimento, meditação e felicidade. Temos o budismo, a yoga, a academia, o xamanismo, a constelação familiar, o reiki, o psicólogo, o zen, o taoísmo, a corrida no parque, as religiões, os livros, a ciência, enfim, uma infinidade de possibilidades.
 
No início do meu contato com o mundo das terapias, tinha uma preocupação e ansiedade em saber de tudo, em viver todos os caminhos, em utilizar todas as ferramentas e práticas possíveis para encontrar logo a minha essência e me tornar um sábio, para assim, atender outras pessoas que me procurassem como terapeuta.
 
E foi o que fiz. Um intensivo de experiências, todo dia, por meses, sem descanso. Uma loucura, uma alegria, uma euforia, grandes descobertas. Até que um dia, acabou. Nada mais fazia sentido, tinha perdido a graça, as práticas já não me levavam a lugar nenhum, já não me davam nenhum insight. Eu tinha feito tanto para me desconstruir e ver o que tinha lá dentro, que já nem sabia mais quem eu era. Era como se houvessem vários EUs dentro de mim.
 
Dei uma parada nos grupos, nos exercícios diários e fui apenas viver o dia-a-dia. E como era difícil. A rotina, o conviver com pessoas, comprar algo no shopping, um almoço em família, era tudo estranho, tudo parecia estar errado. Eu não sabia mais como agir, o que falar, o que era certo ou errado. Eu tinha perdido a minha referência de valores e de comportamento.
 
Aos poucos, fui trazendo para a realidade o que tinha vivido. Fui integrando e escolhendo o que, de tudo que tinha aprendido, fazia sentido para mim. Comecei a fazer do dia-a-dia - do pagar a conta no banco, do dirigir, do lavar a louça, do bar com os amigos, da reunião de negócios - a minha meditação, o meu encontro com a minha essência.
 
O caminho continua e é um amadurecimento diário. Desisti de ser sábio, de tentar saber de tudo antes do tempo, de estar preparado para o outro. A maior verdade está dentro de nós e é comum a todos. É ela que me encontra a cada dia, a cada dia que eu topo me arriscar a viver, fazer escolhas, errar e acertar, cair ou levantar, ficar feliz ou triste.    
 
Os caminhos são vários e o caminho certo é aquele que mais te agrada, aquele que faz mais sentido para você, aquele que te dá prazer, aquele que te acolhe, aquele em que você se sente em casa. Ao escolher um caminho, é importante ir até o fim e mergulhar nele com gosto.
 
Quando mudamos frequentemente de caminhos, conhecemos muitas coisas, vários conceitos, diferentes paisagens, diversas culturas e pessoas, mas não conhecemos um único caminho por inteiro, ficamos no superficial de todos, e não há o real aprendizado, que é o caminho para dentro de nós mesmos. Às vezes, mudar de caminho é justamente fugir de nos encontrar, é fugir de nos conhecermos, é fugir de vermos o que há dentro de nós, é fugir de sentirmos verdadeiramente as nossas sensações e emoções.
 
Sim, ir para dentro poder ser duro. Vemos nossas mazelas, nos sentimos miseráveis, percebemos o quanto nos fazemos de vítimas ou o quanto somos maus. E ok. Faz parte do caminho. Somos bons e maus, certos e errados, vítimas e carrascos. Mas, no meu caminho, é isso que encontro ao descobrir também as minhas belezas, as minhas potencialidades, a minha força, o meu tamanho, o meu silêncio, a minha felicidade, o meu perdão, a minha aceitação.
 
Uma vez um mestre me disse: “Todos os caminhos te levam ao topo da montanha. Escolha um”.
 
Eu já subi a montanha, caí, tentei um atalho, achei que estava chegando no topo, fiquei preso em outra parte, mudei de caminho. Agora, estou em uma trilha, velha conhecida, que sempre me atraiu e sempre faz o meu coração vibrar quando a encontro. Nela, eu me sinto em casa. Não vejo o topo da montanha. Mas sinto que subi um pouco, quando eu olho para trás. Será?
 
 
Bruno Vicente

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