MÃE, SOB O OLHAR DE UMA FILHA

Em época de dia das mães, sempre me pego observando esses seres misteriosos, acho elas exóticas, para dizer o mínimo. Não são fáceis de se entender ou definir. Lá no dicionário, dizem que mãe é a mulher que deu a luz ou criou  filhos, mas elas são maiores, muito maiores que este significado do dicionário. Mãe é algo complexo, a princípio é uma mulher como toda outra qualquer, digo a princípio, pois acredito que ser mãe é algo que está predestinado, não é algo que se constrói, que se torna, é algo que se é, que se nasce, é inspiração, não transpiração, pelo menos na minha ótica.

 

É um mulher que teve uma vida normal e comum, mas que, um belo dia, descobriu-se mãe. Pode ser aquela que ficou grávida e gerou dentro do seu útero uma vida, foi recebendo e percebendo as mudanças do seu corpo, tocou no medo e na insegurança e se perguntou tantas vezes quantas possíveis, e outras tantas impossíveis, e agora, como vai ser? Aquela que depois de 9 meses carregando a cria dentro de si, a tem em seus braços e sabe, não sei de que jeito, mas sabe, que fará tudo para defender e proteger aquele ser.

 

Há também a mãe que dá a luz com o coração, que é mãe, a despeito do seu corpo dizer sim ou não. Não tem idade, classe social, cor ou casta, mãe é mãe, e todas tem um traço comum, a tal inspiração, o dom de doar amor incondicionalmente ao seu filho.

 

Mãe é aquele ser que sabe de você, até quando você mesmo ainda não sabe, ela é feliz e realizada com o simples fato de seu filho existir, ela se contenta com pouco, um simples “oi, mãe” basta, e esse pouco é muito pra ela. Mãe é aquela que guarda pela eternidade em sua caixa de memórias os bilhetinhos e os presentinhos bobos de dia das mães, junto com o  sorriso que você deu naquela festinha, que você a muito esqueceu, mas ela se lembra ate hoje.

 

Mãe conhece o seu cheiro, o seu riso de nervoso ou de alegria, o seu choro de fracasso ou de emoção, sabe quando está tudo bem de verdade ou quando é só disfarce de um tudo mal, e quando está tudo mal, ela fica pior que você, ela preferia sofrer na pele dela o seu sofrimento, mas sabe que não é possível, e isso acaba com ela.

 

Mãe é aquela que faz tudo pelo seu filho, dorme pouco, come mal, trabalha muito, se cansa além de suas forças, tudo para fazer o melhor, dar a ele o melhor, mesmo dando o seu melhor se culpa, se culpa de uma culpa que não possui, se culpa por estar longe e carrega dentro do peito o coração em carne viva de não estar presente em todos sorrisos e choros do seu filho, culpa, culpa, culpa, quase sinônimo de mãe.

 

Culpa imposta pelo mundo, pelo passado, culpa que ainda reflete no presente, imposta pela sociedade e por elas mesmas, que de tanto ouvir que são culpadas, acreditaram.

 

Torço para que não seja assim para sempre, torço para que o futuro nos reserve momentos de mais amor, compreensão, integração e conexão, e que assim, essas mulheres possam se  afastar da culpa fabricada.

 

Torço para que sejam preservados a todas as mães o direito de amor incondicional. Que elas possam esbanjar esse amor aos quatro cantos do mundo, ao melhor estilo mãe, exagerado, sofrido e dramático.

 

 

Paula Maria

 

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