ESPERAR COM ESPERANÇA EXPERIENCIANDO



Ah! A espera. Minha questão. Quase uma paixão.

Fazer, esperar. Não fazer e esperar. Quase tudo se amontoa numa espera constante.

Viver é esperar.

Eu ando esperando bastante, quero estar vivendo também. ESPERO que esteja.

Ser vista, enxergada, notada e esperar acontecer. O quê?

Não faço ideia, mas sei que tem um quê aí para esperar acontecer.

Parece que estou mesmo sempre esperando. E estou mesmo, é um fato!

Mas não sei se sempre espero de esperançar. Nem se quando esperanço, experiencio. Tudo se mistura e se confunde... me confundo!

Tão perto, tão longe, tão meu, tão incerto.

Todo e qualquer movimento pode ser fatal. É fatal, às vezes acho que tem de ser fatal mesmo.

Tudo parece estar no centro da minha mão, mas escorre em bicas por entre os meus dedos. Parece que me distancio do próximo, do estava aqui, agora mesmo. Me sinto correndo numa esteira e nunca chegando. Talvez porque quando se corra em uma esteira não se deva chegar em lugar nenhum mesmo. Talvez esta seja a questão, tenho que correr noutras freguesias, onde haja destino a se chegar.

De outra janela, que panicada é essa que você precisa que tudo esteja no centro da sua mão para ser seu? Me pergunto: Se tem que segurar, cercar, forrar para não vazar, é porque não é meu ou não apenas meu? Será?

O mais simples não seria seguir aproveitando o que fica e usando o espaço deixado pelo que vai para posicionar o novo? Seriaaa! Certamente seria. Aliás seria não, é a única possibilidade. Mas minha cabeça é insolente e duvida dela mesma, acreditando que talvez tenha um outro caminho para subir a montanha da vida.

Minha cabeça acho que é quem mais me afasta da minha sanidade mental.

Sanidade esta que às vezes o que mais quero é distância mesmo, estar bem longe, esquecer por um instante da sua existência.

Mas a sanidade, quando vem, chega manhosa, mansa, serena, me acalma, me dá eixo e deixa claro que tudo é possível, e que sim, tudo pode estar bem, mesmo que eu não consiga enxergar… Bem.

Me mostra que não há controle. Não há rédeas seguras nas mãos para sempre, nunca há.

E que sim, as enxurradas internas rompem nossas barragens, escorrem e fogem por entre os dedos, lambendo tudo à sua frente. E que bom, porque assim tenho a possibilidade de não habitar o tédio eterno do mesmo.

Ter consciência de tudo isso, não torna o isso mais fácil, mas me ajuda a não olhar a vida sempre pela mesma fresta. Luto para tornar o meu olhar cada vez mais caleidoscópio e capaz de observar o belo das figuras.

Paula Maria


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